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Summer Delight is a multimedia installation that dialogues with concepts of time, space, storytelling and randomness through still and moving images and sounds. Six flat screens display, in arbitrary order, a series of images at random time lapses. The text is divided in 16 pieces that are randomly narrated, through the central 5.1 channels sound system, interposed with moments of silence. Other four stereo sound systems are disposed in the same occupied space, playing the background sounds (internal and external), creating an immersive atmosphere for the narrative.

You can see here a linear video version of the installation and also the still frames and the text.

Summer Delight foi concebido como uma instalação multimídia de imersão, onde o diálogo entre tempo, espaço, movimento e aleatoriedade acentuam a experiência narrativa do espectador. Adaptado do conto “Don and Dean’s Summer Delight”, de Maria Bitarello, este trabalho pretende explorar os limites entre a narrativa literária e sua representação audiovisual. Em uma sala escura 6 telas planas dispostas na sala mostram, em ordem aleatória, uma serie de imagens de duração variada. O texto foi editado em 16 partes independentes que são narradas de forma randômicas através de um sistema de som central 5.1, intercalados com momentos de silencia. Outros 4 sistemas de som estéreo são instalados no mesmo espaço, tocando os sons ambientes e criando assim uma atmosfera imersiva para a narrativa.

O vídeo linear apresentado aqui é um dos desdobramentos desta pesquisa que busca as relações entre texto e imagem.

Project: Vinicius Berger
Story and Narration: Maria Bitarello
Assistant: Fábio Nascimento

Arnaldo e Rita

 

 

 

 

Já faz uns anos, tive um sonho com a Rita Lee. Minha memória de sonhos é ruim, e só tenho fragmentos. Mas recordo-me de encontrar a cantora na fila de um banheiro, em 1963, num show de Jorge Benjor. Era o lançamento do “Samba Esquema Novo”. Ela ainda era loirinha, sardenta, menina. Eu a reconhecia e me precipitava em sua direção. Não me lembro se ela me conhecia ou não, acho que não. Eu lhe disse, na fila do banheiro, que embora ainda não soubesse, ela seria integrante de uma das bandas mais importantes e incríveis do mundo, ao menos do meu. Que eles tocariam em toda parte, que eles revolucionariam o rock nacional e que dali a alguns anos eles gravariam a música que o Jorge Benjor estava tocando lá fora: “Minha menina”. O álbum de ‘63 é o meu favorito do cantor. E a primeira fase d’Os Mutantes, de 1967, com Ritinha de noivinha, é sem dúvida a que eu acho melhor.

 

Fim de ano me lembrei deles. A Rita faz aniversário dia 31 de dezembro. E nesse mesmo dia, no ano de 1982, Arnaldo Baptista, seu ex-marido e ex-parceiro musical, tentou acabar com a própria vida, sem sucesso. Eu tinha um mês de vida, e nos cruzamos no meio do caminho. Foi um começo para nós dois.

 

Arnaldo teve uma sobrevivência miraculosa. Um momento em que vida não só falou mais alto; ela gritou. Foi uma aposta. E ele foi parar em Juiz de Fora uns anos depois do incidente. Ele e sua “menina”, Lucinha Barbosa, sua companheira há 30 anos. E lá, em minha cidade natal, o velho mutante é figura não raro avistada. No cinema. Em exposições. Caminhando em parques. Vive num sítio perto da casa da minha mãe. Seus quadros são expostos na cidade; suas camisetas, pintadas à mão, vendidas localmente. Eu hoje vivo na cidade natal do Arnaldo, São Paulo, mas só o vejo na terrinha mineira. Nosso ponto de encontro habitual é a praça do bairro, onde nós dois temos uma preferência por caminhar. Ele e sua menina estão sempre lá, sempre juntos. Às vezes nos falamos, nós três.

 

Em 2007, o vi em cena pela primeira e última vez. Foi no show d’Os Mutantes, no Rio, que cobri para o jornal local no qual trabalhava na época. Da plateia, um coro de dez ou vinte de nós, mineiros, gritava “graminha, graminha, graminha”, que não é um viva à maconha, mas o nome do bairro onde ele reside em Juiz de Fora. Ele sorriu como criança. E nós também. Tive a oportunidade de entrevistá-lo, tiramos fotos juntos. Ganhei uma camiseta.

 

Fantasio que meu sonho foi uma forma de intervenção no curso dos acontecimentos. Se eu não tivesse contado à Rita – na fila daquele banheiro onírico, 19 anos antes do meu nascimento – que eles gravariam “Minha menina”, do Benjor, será que eles teriam ainda assim gravado a canção? Será que nos anos 2000 minha banda mineira, duplodeck, faria um cover dessa música – cover, por sua vez, inspirado pela apresentação do Belle and Sebastian no extinto Free Jazz Festival, de 2001, já que a banda escocesa também fez sua versão da baladinha distorcida? Será que o Arnaldo chamaria a Lucinha de “minha menina”, como o faz, carinhosamente? Será? Menina ou não menina? Eis a questão. Por que será que foi esse meu único comentário feito à Rita Lee na fila daquele banheiro sessentista? Não tenho as respostas.

 

Se Arnaldo não tivesse quase morrido em 1982, quando eu nasci, talvez ele já não estivesse mais entre nós. Sua quase morte foi um recomeço. Quando penso no Arnaldo e na Rita, nesse amor e nessa arte – e também na dor e na ruptura –, quem me vem à mente é Lucinha. A menina. Talvez a mesma da música do Benjor.

 

Talvez fosse ela a menina do sonho sobre a qual eu falava à Rita no banheiro do show.

Arnaldo 4

Arnaldo Baptista e Maria Bitarello @ vernissage no Janelas Verdes, Juiz de Fora-MG, Brasil – janeiro de 2006

Double snapshots

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Anahi @ Ibitipoca, MG, Brasil/2013

 

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Dad @ home, Juiz de Fora, MG, Brasil/2013

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Grandma’s @ Juiz de Fora, MG, Brasil/2013

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My old bedroom’s double view from window @ Juiz de Fora, MG, Brasil/2013

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Logo-Land @ Juiz de Fora, MG, Brasil/2013

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Concrete @ São Paulo, SP, Brasil/2013

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My garden @ Vila Madalena, São Paulo, SP, Brasil/2013

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Laura and Snacks @ Ibitipoca, MG, Brasil/2012

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Laura in Stripes @ Ibitipoca, MG, Brasil/2012

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Ghost horses @ Ibitipoca, MG, Brasil/2012

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Zuzu & Thi @ Pedro’s place, Rio de Janeiro, RJ, Brasil/2012

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Tcheco e Joca @ Rio de Janeiro, RJ, Brasil/2012

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Mercado Municipal/Estação da Luz @ São Paulo, SP, Brasil/2011

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Dutty and view @ Vila Madalena, São Paulo, SP, Brasil/2011

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Habib’s over Paraibuna @ Minas Gerais, Brasil/2011

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Vila Madalena, São Paulo, SP, Brasil/2011

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Artist over water @ Pont des Arts, Paris, France/2011

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Maria & Anahi @ Pont des Arts, Paris, France/2011

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Minas Gerais, Brasil/2011

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Minas Gerais, Brasil/2011

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Diaraye, Quai-de-Seine, Paris, France/2011

The kindness of strangers…

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Menina Vânia, Portugal @ O Porto, Portugal

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Café a Brazileira @ Braga, Portugal

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Rodrigo, Brasil @ Braga, Portugal

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Cândida, Portugal @ Goães, Portugal

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Moysés, Portugal @ Goães, Portugal

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Luis, Portugal @ Rubiães, Portugal

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Carlos, Portugal @ Cossourado, Portugal

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Rio Minho
Valença do Minho, Portugal / Tui, España

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Rio Minho
La frontera

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Gerry, England @ Tui, España

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Iryna, Ukraine @ Redondela, España

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Andy and Lauren, USA @ Redondela, España

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Diana, USA @ Pontevedra, España

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Christine and Maureen, England @ Pontevedra, España

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Campanário del Monasterio de Herbón, España

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Monasterio de Herbón, España

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Claustro del Monasterio de Herbón, España

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Vincent, France @ Monasterio de Herbón, España

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Vincent, France @ Monasterio de Herbón, España

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João, Portugal @ Monasterio de Herbón, España

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Paco, el hospitalero del Monasterio de Herbón, España

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Marja, Netherlands @ Padrón, España

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Antoine, Netherlands @ Padrón, España

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Maureen, England @ Pórtico del Perdón de Santiago de Compostela

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Christine, England @ Pórtico del Perdón de Santiago de Compostela

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Eládio, España @ Pórtico del Perdón de Santiago de Compostela

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La Basilica de Santiago de Compostela, España

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Me @ Santiago de Compostela, España

Photos taken on the Camiño de Santiago de Compostela, between Braga, Portugal, and Santiago, España, from june 2nd to june 11th 2013.

Thank you to everyone who let me photograph them.
Thank you to everyone I crossed paths with.
Thank you to all.

Thank you.

Incredible India

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MINING THE LIGHT
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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MARKET AND PRAYER
Laad Bazar, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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MYSTS
Temple @ Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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STORYTELLING
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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FORTIFIED CITY
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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SHORT-CIRCUITED PEARLS
Laad Bazar, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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CHORES
Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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LASSI
Laad Bazar, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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PRAYER AND MISCHIEF
Temple @ Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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MUSLIM-HINDU HENGE
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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HIGH-SCHOOL TELUGO
Laad Bazar, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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ADOLESCENCE
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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HITEC CITY
Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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GURMIT, THE SIKH
Temple @ Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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MOHAMMED
Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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INDIAN MAN
Fort @ Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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THREE WHEELS
Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

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MUSLIM WALL
Golconda Fort, Hyderabad, Andhra Pradesh, India (2012)

Madonna e Niemeyer

Já ouvi dizer que pessoas em cargo de mais responsabilidade e confiança ou de maior projeção profissional tendem a viver mais. Que o trabalho por ser feito mantém as pessoas vivas por mais tempo. Que o compromisso tira o pé da cova. Faz sentido, suponho. E sempre pensei isso do velho Oscar. Esse sagitariano danado que no dia 15 teria completado 105 anos, uns 90 deles de tabagismo intenso e convicto. Penso num senso de dever, e talvez até de missão, que impulsiona pessoas como ele. E, ciente do risco de ser apedrejada em praça pública, proponho uma associação arriscada entre duas figuras icônicas: Madonna e Niemeyer.

Creio que Madonna também viverá uma vida longa e ativa. Que depois da turnê acústica que quem sabe virá mais pra frente, ela vai passar para outras formas de criação (apostaria no cinema), mas não parar. Porque parar, realmente, seria o fim. E acho que com ela, como com Oscar, é o fim que os detém, não o contrário. Sim, vaidade é fundamental. A humildade não te faz levantar todos os dias e seguir sendo Madonna ou Niemeyer. Daí o risco que vem embutido neste senso messiânico. Leva a abusos, delírios de grandeza. E, não raro, à loucura.

Anos atrás li uma matéria, na Folha se não me engano, em que vários arquitetos renomados falavam sobre o ofício. Um deles, não me lembro mais qual, disse que o sonho de todo e qualquer arquiteto é, uma vez na vida, produzir uma grande obra. Atingir o sublime. E que ser contemporâneo de Niemeyer tinha sua dose de dor e de delícia. A inspiração e a opressão de um gênio que fez de suas obras, todas elas, primas. E ser contemporânea de Madonna não tem, igualmente, um sabor agridoce? Cito o jornalista Rodrigo Levino: “Quem tiver acompanhado a vinda recente de toda a nova geração de cantoras pop ao Brasil (Britney Spears, Christina Aguilera, Rihanna, Lady Gaga, Katy Perry), não deixará de constatar o óbvio: no dia em que o trono de Madonna vagar, vago continuará.” Para quem não gosta dela, a americana deve ser um rochedo no sapato. Madonna não larga o osso. E se nem Cristo foi unanimidade, como se diz por aí, tampouco foi o simpático e comunista Niemeyer.

De um lado, ela. Dentre suas súditas praticantes – ou seja, todas as performers femininas que vieram depois dela –, quantas duraram? Seu pioneirismo é incontestável. E 30 anos de carreira, sem perder o penteado, não são para qualquer um. Tem que ter a cabeça no lugar. Olhe aí no passado e no presente. Grandes homens e mulheres em potencial. A maioria amarela no meio do jogo e não volta para o segundo tempo. Morrem, piram, não aguentam o rojão. E conta-se nos dedos de uma única mão quem atingiu uma carreira desta solidez. Quem tem, em todos os discos, pelo menos uma ou duas músicas que ficam. Com certeza os Rolling Stones são dessa pequena elite.

De outro lado, ele. Entre arquitetos e estudantes de arquitetura que conheço, encontro críticas, reprimendas, desgostos com suas curvas e blocos soviéticos. Um argumento que eu respeito e tento entender, mas que muitas vezes me parece mais uma justificativa racional – a política por trás daquela cidade de Brasília, linda e estranha – que uma reação visceral a uma obra. E como eu acredito que arquitetura é a forma de arte mais interessante de se ver e de maior impacto sobre nosso cotidiano, prefiro a via irracional.

As artes são um pouco como o olfato. Antes de você reconhecer o aroma no ar, ele já te provocou alguma reação. Atração, repulsa, familiaridade. A arquitetura chega até você a despeito de sua permissão e de sua vontade. Apesar da política. A música tem a mesma natureza no campo sonoro. E ainda bem que é assim. Desconfio que se você for a um show da Madonna aberto à experiência que ela tem a intenção de te proporcionar, se não ficar emburrado com o playback e não for buscando uma coisa preconcebida, você vai com certeza se divertir. Porque é o que é. Um espetáculo. Não é Ramones ou The Stooges. E dentro de sua proposta, ela é a melhor. Como Oscar.

Recentemente voltei a Brasília e o encantamento perdura. E no último dia 5 fui ao show dela no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Aguardando o início sob chuva, recebi uma mensagem no celular. “Agora o mundo realmente acaba… Niemeyer morreu.” Soltei um “Ah” de lamento em voz alta e as luzes se apagaram, fãs urraram e o show, três horas atrasado, começou com o soar de sinos e o balançar de um incensário gigante. Monges ergueram-se no palco, uma catedral de espelhos estilhaçou-se e ela, à la madonna, desceu do confessionário.

Durante esse prelúdio sacro, pensei no Oscar. Fiz meu minuto de silêncio. Admirei a diligência. A abnegação de outra vida. A aceitação de uma escolha, ou até da falta dela. O toque do divino, ou não. O trabalho exaustivo. A vida pessoal prejudicada. O amor pelo ofício. A preocupação com seu público. Lembrei de tudo dele que eu conhecia, suas obras. Tudo isso que vale para Oscar, vale para Madonna. Os dois são farinha do mesmo saco. Inquietos. E, para mim, a abertura deste show da turnê MDNA foi o réquiem do arquiteto. Me achei com sorte. Dessa eu não me esqueço.