35 horas em Abu Dhabi

Até que aconteça com você, é difícil entender a frustração envolvida na perda de um voo. Sentimentos confusos afloram, simultaneamente. Desespero. Vergonha. Raiva. Arrependimento. Resignação. Cansaço. Pressa. O mais certo é que ver o avião, no qual você deveria estar, decolar na sua frente, com você fora dele, se compara à experiência de ser esquecida na escola. Você vê todos os coleguinhas indo embora com seus pais. Merendeiras vazias, uniformes sujos e uma criança feliz que volta pra casa. Menos você. E à maneira de uma criança, você tem vontade de bater em alguém, de chorar porque ficou sozinha e de se esconder de vergonha e embaraço diante das pessoas que estão ao redor vendo todas as emoções transparentes por suas expressões e gestos.

Correr foi minha primeira e única reação. Corri um terminal e meio até o guichê da Etihad Airways. Corri como se o avião pudesse fazer meia volta pra me buscar. Cheguei suada e arfante para pedir assistência, mas o funcionário da companhia me olhou sem qualquer traço de compaixão. Disse, sem cerimônia ou carinho, que só haveria outro voo de Abu Dhabi pra São Paulo na manhã seguinte, ou seja, 24 horas depois. “Só existe um voo desses por dia, senhora”, ele me informou com o rosto inexpressivo. Levantou-se para verificar com outro funcionário a possibilidade de emitirem outro cartão de embarque pra mim. Os dois me olhavam, de soslaio, como fazia a diretora do jardim de infância quando eu comia areia do parquinho: um misto de recriminação com pena. Me vi sozinha no balcão, derrotada, e fiz o que qualquer adulto exausto teria feito em meu lugar: chorei. Chorei ali em pé, sozinha, sem superego. O funcionário retornou com um cartão de embarque e permaneceu inabalável diante de minhas lágrimas incontidas e balbúrdias indecifráveis. Me passou o novo cartão de embarque. “E minhas malas?”, perguntei quase me desculpando. “Elas foram retiradas. Estão aqui no aeroporto e serão transferidas pro voo de amanhã”.

Eu havia chegado no Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, na noite anterior num voo vindo de Kathmandu, Nepal. Chegara na madrugada de 24 para 25 de dezembro. Conforme feito na ida, reservei uma vaga nos sleeping pods, um serviço oferecido por uma empresa pra tornar menos desconfortável a estadia dos passageiros com longas conexões nos halls do aeroporto. Só existe um hotel (caro) dentro do aeroporto, e muitos passaportes requerem visto para sair. O passaporte brasileiro é um deles. Tratando-se de uma noite – tanto na ida quanto na volta –, optei pelas cápsulas do sono. Mais barato, mais simples e menos confortável, mas ainda assim muito superior a uma cadeira ou ao chão.

As cápsulas têm um aspecto de câmara de criogenia de um filme de ficção científica. Você deixa sua bolsa de mão embaixo do estofado e já entra deitando. Uma tampa de escotilha escorrega da sua cabeça até seus pés, fechando o casulo. Ali dentro têm tomadas pra carregar celulares e computadores e só. As cerca de 30 cápsulas ficam todas numa salinha refrigerada, perto do desembarque, e os passageiros entram e saem em alternância para desfrutarem de suas horas pagas para horizontalizar o corpo. Uma funcionária fica com seu cartão de embarque, na entrada da sala, e te chama com antecedência para que você levante e chegue a tempo do seu voo.

“Estou uma hora atrasada, meu voo demorou. Mas eu paguei por 8 horas”, me expliquei com a atendente que me recebeu na véspera de Natal, quando cheguei em Abu Dhabi. Já era madrugada. O aeroporto estava vazio e sonolento. Eu já tinha pagado, mas estava perdendo uma hora de sono/dinheiro. “Não tem problema, porque seu voo amanhã para São Paulo foi adiado em uma hora também, então você pode dormir mais. Vai dar na mesma”, me disse a funcionária e porteira do sono. Agradeci e fui dormir. Dentro do casulo, tomei metade de outra cápsula de sono – um dramin – e num piscar de olhos já era manhã. Saí sem pressa pra tomar um café. Eu estava com tempo, então me direcionei com calma ao portão 34. Era a hora exata marcada para o início do embarque, ou seja, uma hora antes da decolagem, mas encontrei todas as cadeiras em frente ao portão vazias. Achei estranho. Um homem pequeno aspirava o carpete. Na pequena tela, havia um voo para Seul anunciado. Um cubo de gelo desceu pela minha coluna. Perguntei ao funcionário de terno se o voo pra São Paulo havia mudado de portão. Ele me olhou em silêncio. Sem pena nem crueldade. Apenas virou-se pra janela e com o dedo indicador em riste apontou, lá fora. Um avião estava na pista. O sol cegava. “Aquele é o voo para São Paulo”, disse, e voltou à contagem de cartões de embarque em suas mãos. Senti a vida escorrer de mim pelo suor nas palmas da minhas mãos. Engoli todas as palavras que não tinham a quem serem ditas. E corri.

Vencida, voltei ao local onde meus problemas haviam começado. Deixei o guichê da Etihad e decidi descarregar toda minha frustração natalina nos mercadores do sono. A atendente das cápsulas não era a mesma que havia falhado em me acordar na hora certa aquela manhã, mas tomei a parte pelo todo e transformei a vida dela num inferno nas duas horas subsequentes. Ninguém queria assumir responsabilidade pelo erro, todo mundo tem medo de perder o emprego. E eu entendi. No íntimo, até me solidarizei. Não sei de sua história, de como ela foi parar ali, do que estava em jogo. Então ligamos – por insistência e obtusidade minha – para o proprietário, que passava seu Natal, feliz e contente, em família, lá na Alemanha. Fiz um jogo sujo. Menos por estratégia que por fraqueza. Eu já não conseguia mais parar de chorar. Tinha chegado àquele ponto em que as lágrimas contidas do passado pegam carona na abertura das portas lacrimais do presente e deixam a boiada toda passar. Além disso, eu não tinha pressa. Tinha 24 horas de ociosidade pela frente. Brigar com o alemão por telefone era parte da distração. E também, eu precisava de algum senso de justiça. Consegui, ao menos, não pagar nada por minha detenção involuntária no Oriente Médio: o alemão assumiu todos os meus custos em Abu Dhabi (cápsulas do sono ilimitadas pra mim, o dia todo, e vouchers de alimentação). Não era muito. Mas em meu torpor provocado pela clausura em ares refrigerados, entendi que havia ganho aquela batalha. Cada um tem seus delírios e eu me apeguei ao meu.

No total, foram 35 horas dentro do aeroporto de Abu Dhabi. Cogitei um passeio, mas o visto custaria quase US$100 e demoraria horas pra ficar pronto. Fiz tudo que havia disponível para ser feito ali dentro sem gastar dinheiro. Fiz todas as refeições com os vouchers da Etihad. Passei em todas as lojas do duty free. Li. Ouvi todos os podcasts que estavam acumulados. Fiz longas caminhadas pelos três terminais do aeroporto a que tinha acesso. Tracei uma rota de ida e volta que demorava 40 minutos para ser cumprida. Completei quatro rotas durante a tarde.

Também tomei banho na ducha ao lado da mesquita. Confesso, com certa ostentação, que esse foi o melhor momento do dia. No meu kit de viajante aéreo nunca faltam: máscara e tampões de ouvido para dormir, música e fone, livro e calcinha. E naquela conjuntura, trocar de calcinha foi um novo batismo. O momento em que o herói veste o uniforme pela primeira vez e sabe o que fazer. Não sabia o que fazer com meu tempo livre, mas recobrei um pouquinho da minha dignidade e, assim, da minha identidade. Uma vez limpa, conversei com amigos no Skype. E também com tantos outros passageiros, sempre de passagem. Todos, eventualmente, partiam, menos eu. Passei então a colegar com os funcionários do aeroporto, acreditando, assim, aumentar minhas chances de entretenimento. Mas uma hora até eles iam embora.

Lá fora, um mundo de areia e sol, um deserto habitado e urbanizado. Ao longe avistava andaimes e guindastes, sinais de um país em obras e desenvolvimento. Aqui dentro, vivíamos a vida na colmeia, onde não há dia ou noite. Como os casinos de Las Vegas, sem relógios ou janelas, sem indícios do nascer e do por do sol. Em meus delírios lost in translation, ponderei que quando colonizarmos outros planetas onde o ar não for respirável, a colonização deixará nossas vidas como a de um terminal de aeroporto. Cantarolei Space Oddity, do Bowie, incontáveis vezes pra mim mesma enquanto passava pela décima vez pelo raio x. Ar condicionado, luz equilibrada em todos os ambientes, pessoas de todos os lugares do mundo, em trânsito, ninguém é dali. Nem os funcionários do aeroporto. Muitos africanos de diferentes fenótipos, mas também nepaleses e coreanos. Todos do mesmo planeta Terra, mas se estivéssemos em um dos episódios de Star Wars, cada um viria de uma constelação e de um sistema solar distinto.

Lá fora, eu sei pelo que leio, há trabalho escravo, condições indignas de vida e uma desigualdade social que deixa o Brasil bem na fita. Como Tatooine, o planeta deserto de Luke Skywalker. Do lado de dentro, um mundo fictício decorado com perfumes Dior, bolsas Chanel, óculos Ray Ban, echarpes Hermès e passageiros que só viajam de primeira classe. A desigualdade e a grande sacanagem internacional compactuada por todos nós. Mais conhecida que a peruca do Zacarias, que a perna mecânica do Roberto Carlos. Talvez eu estivesse muito sensibilizada pelo cansaço, pelo tédio, pela vontade de chegar em casa. Talvez fosse o número de horas respirando ar refrigerado. Talvez fosse o espírito do Natal, que veio e se foi antes que eu saísse do aeroporto. Um Natal em terras árabes, rodeada de imigrantes budistas.

Na manhã seguinte, prestes a embarcar, recebo uma mensagem de Karim, o jovem funcionário marroquino que na noite anterior havia me ajudado a encontrar a ducha. Ele voltara pra casa e pela manhã já estava de volta ao aeroporto pro novo turno. “Seu voo sai do portão 4. Não perca esse!”. Cansada demais pra euforia, me vi apenas aliviada diante da perspectiva de passar 15 horas num avião até São Paulo. Na fila de embarque, conversei com uns brasileiros. Eles falavam mal do aeroporto de Abu Dhabi, menos chique que o de Dubai. Assunto chato; deixei-os rapidamente. Afinal, eles eram entusiastas da tal sacanagem internacional sobre a qual eu delirava horas antes.

No longo, longo retorno até minha casa na Vila Madalena, ainda tive um voo tenebroso, com turbulências fortíssimas e duradouras. Com uma espécie de intoxicação alimentar, vomitei duas vezes durante a travessia, pra surpresa e desgosto meu e do meu belo companheiro de poltrona, um italiano chamado Cláudio. Cheguei em casa exausta, com apenas uma troca de calcinha e sem a menor noção de espaço-tempo. Ainda era de dia em São Paulo, culpa do relógio que andou pra trás e do horário de verão, mas eu havia saído do meu hotel, em Kathmandu, três dias atrás. Naquela noite, dormi na minha cama e na manhã seguinte peguei um ônibus pra uma viagem do dia todo até minha terrinha, em Minas, dois dias depois do fim do Natal.

Ingenuamente, pensei ser o fim da aventura. Mas a verdadeira corrida com obstáculos apenas começava. A maratona de vida e morte, de amor e tristeza, de perdas e ganhos, de muita carência de sono. Por sorte, coincidência ou destino, eu acabara de retornar de Nepal. Toda a tranquilidade pós-férias que meu semblante esbanjava no dia em que deixei os Himalaias estava em algum lugar dentro de mim, me dando suporte. Eu não via, mas sentia. Não tinha mais as marcas vermelhas na testa, nem o cheiro de incenso, mas as águas do meu oceano interno eram calmas quando ao meu redor as ondas eram dantescas. Segundo aprendi lá, ninguém vai parar aos pés de Boudhanath Stupa, o maior templo budista fora do Tibete, por acaso.

Pensei em outras viagens, poderosas, que terminaram com provações bem concretas. A greve dos controladores aéreos quando terminei o Caminho de Santiago de Compostela me veio à memória, seguida do retorno ao Brasil em meio às manifestações de junho de 2013. A impotência diante de uma situação pode ser concomitante ao poder de escolha que temos de ajustar a visão e de enxergar os pepinos como golpes de fortuna. Quem já foi esquecido na escola quando criança sabe do que eu estou falando. Afinal, ninguém sabe muito bem o que está fazendo. A gente inventa enquanto vai vivendo. E talvez essa tenha sido a força que me levou e me trouxe de volta do Nepal.

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Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal (dezembro 2014)                            Photo by Maria Bitarello

 

David Alan Harvey vai à praia

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Na sexta-feira 13 que antecedeu o carnaval desse ano, passei uma tarde com o fotógrafo David Alan Harvey na praia, no Rio de Janeiro. O que segue abaixo são fotos feitas nesse dia e algumas perguntas respondidas por ele.

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Você tenta intencionalmente evitar a reprodução de estereótipos e clichês em suas fotos?
Eu também fotografo clichês, só não publico. Estou tentando chegar na essência das pessoas para além do que está visível. Não sei bem como eu faço isso, mas sim, é intencional. A maioria das pessoas que eu fotografo, eu já passei algum tempo conversando com elas. Eu tenho uma ou outra foto aleatória tirada nas ruas no estilo Cartier-Bresson, que era o que eu queria fazer no início, mas aí eu percebi que desfruto de estar com as pessoas. Então eu me proponho a conhecê-las. Eu passo tempo nos mesmos lugares, vejo as mesmas pessoas de novo, várias vezes. Eu as estudo como um ator faria com seu personagem. Atores naturais da vida real. Eles estão em toda parte. Aqui mesmo, agora. Alguém aqui é mais interessante que outro. Algumas pessoas são simplesmente mais expressivas. Não sei porque, só sinto.

A maioria do que vocês gostam de saber sobre as fotografias se encaixam na categoria do inexplicável. E a verdade é que eu nem gosto de pensar demais sobre isso. Eu não fico conversando ou racionalizando o trabalho durante o processo também. Eu vou pra rua. Entro no embalo e vou. É quase como um relacionamento. Eu não sei se vai durar pra sempre, se vai acabar amanhã. Mas enquanto tá rolando eu não questiono. É um processo difícil de explicar. Semelhante à musa de inspiração pra qualquer artista: pintores, escritores, eles sempre tiveram musas. Eu sou como eles.

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E nessa busca pela essência você acredita que as pessoas são, no íntimo, parecidas?
Você respondeu à sua própria pergunta. Em qualquer lugar do mundo em que você for, se você tirar fora religião, política, língua, o que sobram são pessoas. Com as mesmas emoções. Por um lado, todos são diferentes, singulares. Mas algumas características da natureza humana são as mesmas, em toda parte. Tirando fora as roupas tradicionais, as religiões e o que mais houver, lá no fundo você encontra as mesmas pessoas que moram no quarteirão onde eu moro. Ou minha família.

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Então por que fotografar o diferente? Por que não fotografar o similar?
Não tenho nada contra pessoas como eu, mas sempre me atraí mais pelos descendentes de africanos, desde o meu primeiro projeto longe de casa. E eu aprendi a me relacionar e conviver com os negros bem cedo, com sua cultura e forma de viver. Eu sempre acabava fazendo trabalhos com comunidades indígenas ou negras. Eu me atraio pela música, pelo estilo de vida: fui sendo puxado pra eles.

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Como é essa história da musa?
Eu tive duas musas em toda a minha vida, ambas nos últimos quatro anos. Sempre tenho que me sentir apaixonado pra conseguir trabalhar. Houveram outras musas, mas elas não eram necessariamente fotografadas. Eu tive namoradas que não eram musas. Minhas musas, então, costumam ser pessoas com as quais eu não estou me relacionando, não são minhas namoradas. Elas existem pra mim no lugar de criação artística.

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Você tem uma predileção por fotografar mulheres?
Eu sempre valorizei a opinião das mulheres, em tudo. Eu preciso delas pra me botarem pra frente, de uma forma ou de outra. E tudo começou com minha mãe. Deve ser por isso que eu gosto de fotografá-las. As pessoas distorcem essa história de um jeito que eu não gosto. E isso ou é porque elas nunca conversaram com as mulheres que eu fotografo ou porque eles nunca presenciaram como eu as fotografo.

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E por que você acha que as pessoas confiam em você e te deixam chegar perto?
Acho que nunca fui rejeitado por um grupo político ou social com o qual quis trabalhar. E eu já trabalhei com todo tipo de gente: de direita, de esquerda, de tudo. E dá certo porque eu não julgo ninguém, em primeiro lugar. Eu não tô ali pra julgar ninguém. E, ao mesmo tempo, não sei retratá-los mal. Eu já até tentei fazer sátira, mas não é minha praia. Até queria saber fazer isso melhor, só que agora já é meio tarde demais. No fim, eu deixo todo mundo bem na fita. E as pessoas percebem que eu não tenho motivações políticas ou sociais, que eu não quero que eles façam nada pra mim. Só sou curioso. E documento isso. Uma parte é bem documentário, e outra transborda pro lado artístico, que me interessa muito mais que o jornalístico.

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Tanto seu público quanto aqueles que você fotografa parecem ser, majoritariamente, jovens. É isso mesmo?
Minha audiência não tem ninguém da minha idade. E eu não me identifico com as pessoas da minha idade mesmo, então tudo bem. Tenho 70 anos. A galera que trabalha comigo tem vinte e poucos anos. Acho o povo de 45 anos de hoje muito velho. De verdade.

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Você prefere os jovens por alguma razão?
É uma relação simbiótica. Os jovens trazem mais energia que os mais velhos. Não tem relação com a idade, mas, com o tempo, muita gente fica cínica, acomodada e se recusa a mudar. Então com os jovens eu me sinto mais eu mesmo. Muito mais do que com as pessoas da minha idade. Eu teria que ficar me explicando o tempo todo, e isso seria exaustivo. Com os mais jovens eu só preciso falar uma vez, eles entendem e estão prontos pra me acompanhar. Porque eles ainda são idealistas! Eu também. Sou completamente idealista. Sou um sonhador.

Mas também sou engenhoso. Uso o lado direito do cérebro pra tudo que é paixão e criatividade, mas também posso virar a chave e ficar tipo: vamos fazer isso aqui acontecer! Eu concretizo. Então eu sou um sonhador no princípio e prático no final. E pra tudo aquilo que eu não sei fazer – que é muita coisa – eu conto com uma equipe de pessoas pra me ajudar. Tenho equipes em diferentes países pra me ajudar.

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E o lado direito do cérebro, como opera?
Sou muito intuitivo e festeiro. A festa é parte do trabalho. Só assim eu consigo. E milagres acontecem comigo. Não é muita gente que tem essa sorte que eu tenho. Eu negava a sorte antes. Achava que era tudo fruto de trabalho. Mas agora eu só concordo. Sou sortudo mesmo.

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Essa visão romantizada do fotógrafo como observador nômade… você corrobora?
As viagens nunca foram o aspecto da fotografia que me atraía, ao contrário de muita gente. Isso meio que aconteceu. Porque o jeito que eu arrumei de ganhar dinheiro e mandar meus filhos pra universidade foi trabalhando pra National Geographic. E eu sou grato por isso, porque foi ali que eu tive minha verdadeira instrução em fotografia. Mas eu não gosto de viajar; gosto de estar nos lugares.

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Fotos e entrevista por Maria Bitarello.
* Outra versão dessa entrevista foi publicada no blog da Design de Causas.

The sewing machine

Singer,
You are my great great-grandmother’s sewing machine
Like a propeller sounding machine
And old school gates
You are a metallic taste
You are weight and rust

I give you my memories
Which in turn make you more than just an inanimate object
I give you the stuff of life
Love, meaning and a story

Bring me the understanding and acceptance
that everything that we live happens only once

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I hear it before I see it. Propeller sounding machine. It slows down. Pauses. Resumes. Like propellers ready for take off. Then I see it. Singer sewing machine. It looks just like the one my mother inherited from her grandmother. Looking at this one now, in Bandipur, Nepal, I remember the one back home.

When I was little, I used to sit down on the pedal. It’s all metal, heavy and rusted, and I had a hard time making it move. Even with all of my weight on top of it. I didn’t know, then, how this woman in front of me could be performing her task so graciously and effortlessly. If you step on the pedal as you turn the wheel with one hand, the weight is gone. Suddenly, that heavy surface is moving in waves and requiring very little pressure on it. Because the simultaneous hand motion that keeps the wheel turning is constant.

I also remember the smell of that sewing machine – the smell it left on my hands after I ventured over, under and around it. It smelled like old school gates. Abandoned cars. It smelled of time past. That’s what everyone says you experience in your mouth when you’re on antibiotics. A metallic taste. We all know what that tastes like.

The trick to sowing, so I’m told, is feeding the thread into the hole, sliding the piece of cloth you’re working on and synching it to the speed of the up-and-down motion of the needle. In some ways, it’s like playing the drums. Each of your four limbs is performing a different task, independent of each other, but absolutely complementary and vital to the whole.

My mom’s not into cooking, but she learned to sew. And she’s left handed, which gives her a charming and clumsy flair in anything manual she is undertaking. It’s one of those surprises about her that opened up a window through which I could peek and see a bit of her before maternity. A woman I never met and will never meet. It is both curious and moving to me.

And because time refuses to stop, slow down or speed up, all I get to see is the turning of the wheel. Of the sewing machine. Of koras. Of samsara.

Three souls at the stupa

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She didn’t give it much thought. She turned each wheel with clutched fingers, stiff wrists and pushed her way to the next one with non-cooperative legs that seemed to want to be still. Yet she pursued, 108 times around the sixteen sides of the stupa, blissfully ignoring her body’s counter will. Pushing through, ignoring the pain in her knuckles, the cold on her fingers, the fatigue on her calves from holstering her body upwards every time a wheel was turned. Yet, silently and doubtlessly acquiescing to her faith.

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He read on Lonely Planet that the Boudhanath Stupa was a sight not to miss. As a diligent traveler and re-teller of his sight-seeings, he did not hesitate or even question the instruction he was given. Inside, iPad in hand, backpack filled with two full bottled waters, hand sanitizer and prayer beads dangling, he observed. Not sure what was happening, but yet respectfully watching, from a distance seemingly unbridgeable between himself and the hundreds of devoted Buddhists circling the stupa. And in their ignorance of each other, neither tourist nor devotee realize their common ground. For he, too, followed to heart his truth. Lonely Planet’s truth.

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No one knows when the dogs first claimed the stupa as their own. They’ve just always been here. Some were bred and raised under the dome of Buddha. Others wandered in accidentally. They’re not all the same size, height or breed. Some look ill. Others, hungry; or just defensive. At night, they claim their turf. They brawl, make love and ruckus under the moon, eat, piss and shit as they wish. At daytime, consciously standing their ground, they scatter their furry bodies over the path of koras, a blunt statement of territorial affirmation. We zigzag around them. We know. They have been here since times unknown. They’re the primordial dogs.

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Postcards from the roof of the world

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Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Morning chat @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Monks @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Koras and wheels @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Candles and wheels @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Koras @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Koras and wheels @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Monks @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Monasteries and temples @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Candles and prayers @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Happiness Guest House @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Faith and prostrations @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Morning paper, friends and Buddha @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Monks @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Market life @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Writing refuge @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Writing on rooftops @ Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Real life outside Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Real life outside Boudhanath Stupa, Kathmandu, Nepal

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Cremations @ Pashupatinath, Kathmandu, Nepal

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Prayer for Kali @ Pashupatinath, Kathmandu, Nepal

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Market @ Pashupatinath, Kathmandu, Nepal

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Bodhi Tree @ Pashupatinath, Kathmandu, Nepal

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Across the river from Pashupatinath, Kathmandu, Nepal

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Librarian and business man in Bandipur, Nepal

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Business man in wallpaper in Bandipur, Nepal

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Warm hands in Bandipur, Nepal

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Laundry @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Laundry @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Row boats @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Boat and oar @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Rowing across Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Rowing across Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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The Peace Stupa @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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The Peace Stupa @ Fewa Lake, in Pokhara, Nepal

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Parahawking @ Sarangkot, in Pokhara, Nepal

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Paragaliding @ Sarangkot, in Pokhara, Nepal

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Prem @ Sampada Inn, in Pokhara, Nepal

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Women weaving in Pokhara, Nepal

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Women weaving in Pokhara, Nepal

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My taylor in Pokhara, Nepal

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Chess @ Sidewalk, in Pokhara, Nepal

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Karma Cuts in Pokhara, Nepal

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Sadhu @ Riverside, in Pokhara, Nepal

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Holy cows outside Pokhara, Nepal

 

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Gurkha warriors @ Recruitment Center, in Pokhara, Nepal

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Gurkha training @ Recruitment Center, in Pokhara, Nepal

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NG, the sherpa guide to Gurung Lodge, Nepal

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Trek to Gurung Lodge, Nepal

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Millet drying @ mountain village around Gurung Lodge, Nepal

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Hindu temple and Himalayas around Gurung Lodge, Nepal

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Himalayas around Gurung Lodge, Nepal

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Hindu temple and Himalayas around Gurung Lodge, Nepal

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View from Gurung Lodge, Nepal

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Half-print of mountain view from Gurung Lodge, Nepal

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Sunrise, Himalayas and Bandipur, view from Panorama, Lodge, Nepal

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Sunrise, Himalayas and Bandipur, view from Panorama, Lodge, Nepal

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The cook and the fog @ Panorama Lodge, Nepal

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Orange pickers on the mountain villages around Panorama Lodge, Nepal

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Orange pickers on the mountain villages around Panorama Lodge, Nepal

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Orange baskets on the backs of women @ the mountain villages around Panorama Lodge, Nepal

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Chris and orange crates @ mountain villages around Panorama Lodge, Nepal

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Divine light on trek to Panorama Lodge, Nepal

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Drying corn @ mountain village around Panorama Lodge, Nepal

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Seti River @ Seti River Camp, Nepal

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Seti River bed and stones @ Seti River Camp, Nepal

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Seti River @ Seti River Camp, Nepal

All photos taken by Maria Bitarello in December 2014, in Nepal.
Films used were Kodak Portra 400s, in 35mm and 120mm.

Do not bury the dead

The first tragic loss in my life was Saul’s. We were both 12, and he was accidently shot by another child, a neighbor who found his mother’s gun and fired from a window. Saul’s family is very close to mine and his death has, ever since, become a part of our lives. Of who I am. I cannot separate myself from that girl who was told before school, one September morning, that her friend was killed. We are the same.

The second tragic loss I experienced was my cousin’s, Daniela. I was a sophomore in college and she was 15 when her younger brother found her in her bedroom, breathless from an accidental chloroform overdose. There are those that say her death was avoidable, but it makes no difference whose fault it was. She’s not here. And that is the all-encompassing truth.

The third tragic loss was Jorge’s, a good friend from college who died a couple of years after we graduated. He was in the advanced stages of Aids and did not know he was sick until two weeks prior to his death. He was harshly judged by many, but the truth is that he was a beautiful man. And beauty deserves no punishment.

The fourth one was tough. Roberta and I were both 27 when she committed suicide and took with her memories that only the two of us shared. She was my oldest friend. With her went a part of me that no one else knows, and I felt amputated. Abandoned. For a while, I hated her for having brought that amount of pain and incomprehension into my life. I will never fully understand her decision, but I know it prevented me from ignoring death, and also suicide. Her swift and violent departure became a layer of my skin. And not only can I not imagine myself without this experience, I don’t want to. It taught me that I don’t need to understand in order to accept it. This loss, apart from all others, has been the single most brutal, real and liberating. It awakened me to mortality and, consequently, to life. And for this, I feel gratitude.

The fifth tragic loss in my life was Bruno’s, a high school friend. He succumbed to the injuries brought on by having nearly his entire body carbonized after a car crash. He was generous and kind, and reminded me that we cannot take with us anything from this life, this world. Not even our bodies, our vehicles of pleasure and pain, without which there is no life.

Lastly, there were two tragic losses that loved ones, close to me, experienced. Eugénie was younger than me and died from a brain tumor at 25. She craved life. And Alexandre was in his mid thirties and died in a plane crash. He was a gentle, loving soul. From them I learned that there will always be something left unsaid, undone, incomplete. And closure will come despite of it.

 * * * * *

We go through life creating bonds. With people. Places. Stories. And then we have to let them go, one by one. Unlike what we are told as children, death does not greet us only at the end. It doesn’t happen in the distant future, when we die. Death is all around us, all the time. And our own is but the last. Everyone I know will die. Everyone who has lived has died. Everyone still alive will also die. And so will I.

Knowing this fills me with release, surrender. Or faith is perhaps a better word. Not knowing when or how it will occur still allows me to accept and trust its inescapable and necessary quality. And this, alone, makes every living moment unique and a once-only experience. Good or bad, everything is a part of the living realm and, therefore, precious and worthwhile. Feeling sad and grieving takes its toll after some time, and we tire ourselves out of sadness. The same comes from bliss or contentment. It too will pass. And that’s ok.

In Portuguese, we have a word, saudades, which is difficult to translate into other languages. In English, we say we miss someone; in French, someone is missing from us. Saudades, however, conveys more than longing or nostalgia. It can be and often is a pleasant sensation. Because if you experience saudades from a loved one, it is the very affirmation that there is something to be missed; that the love in which you two are embalmed is the same feeling that you wish kept you company at this moment.

I like this word, and there is something to be learned from the Portuguese poets in times of grief. When we loose someone, his or her absence is overpowering. And yet, in the lusophone world, we are taught to not discard our dead. Saudades makes their absence present. Pain can be transformed; grief will no longer be frightening; the dead may live on in our flesh and groins. And we need never be alone.

We must admit there will be music despite everything*.

*From the poem “A brief for the defense”, by Jack Gilbert.