Rabiscando Mumbai

yogainstitute

The Yoga Institute, Bandra, Mumbai, India – 31/12/16

birdsong

Birdsong Café, Bandra, Mumbai, India – 1/1/17

chaayos

Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 5/1/17

hand-at-chaayos

Chaayos, Bandra, Mumbai, India – 6/1/17

A arte de morrer

170110-varanasib

Manikarnika Ghat, Varanasi, Índia

Um dos momentos mais importantes em “Bacantes”, na montagem do Teatro Oficina a partir do texto de Eurípedes, é o estraçalhamento do corpo de Penteu. Um ato indissociável da entrega de Penteu a seu fim. De certa forma, é a consumação da tragédia, o ato em que o antagonista compreende e aceita seu papel. A cena é violenta e bela. Desse ritual de morte, todos são convidados a participar. Primeiro, do estraçalhamento, depois, do banquete onde Penteu será comido pelas bacantes, pelos tebanos, por todos nós; o momento da festa. Assim como todos ali presentes, Penteu percebe a situação em que se encontra, reconhece o inescapável – a morte, ali, pelas mãos delas – e abre os braços. Não resiste. Recebe. E morre.

Em dezembro, antes do fim da temporada de “Bacantes”, voltei a Varanasi, na Índia – a mais importante das cidades sagradas hindus e uma das mais antigas do mundo – e me lembrei o quão insípidos são os rituais de morte em muitas culturas.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Dos hábitos da leitura

161213_maria-e1481651439902

“Fora o cachorro, o livro é o melhor amigo do homem.
Dentro do cachorro é muito escuro para ler.”
Groucho Marx

Às vésperas de uma viagem internacional me pego pensando sobre os livros que levarei. Não me adaptei aos e-books, e sei que numa situação como essa eu poderia levar dezenas de tomos ocupando o espaço de uma antiga calculadora. Mas eu sou old school e levo o livrão mesmo. A meu favor, tenho o desapego do objeto “livro” uma vez concluída a leitura. O fetiche não reside em colecioná-los, embora eu tenha centenas deles. O deleite está na leitura em papel. Uma vez lido, prefiro pensar nele chegando às mãos de outra pessoa, assim como aprecio receber um livro usado. O objeto vem e vai carregado de significado e, mais que isso, de histórias.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Relatos de uma endoscopia bem-sucedida

161129-brisa-485x364

Inspirada em minhas recentes aventuras numa clínica no Alto da Lapa, em São Paulo, misturada a outras vividas em outras clínicas, em Minas Gerais – aliadas a um desejo agora declarado de que as “viagens” com supervisão médica fossem uma prática de lazer e entretenimento –, apresento aqui os relatos de uma paciente de um dos grandes males do século: a gastrite (e suas derivações gástricas, como refluxo, esofagite, úlcera e afins). Segundo informações de internet nada precisas, o Omeprazol – remédio usado em tratamentos gástricos – é um dos medicamentos mais consumidos no mundo e mais da metade da população mundial será afetada pela gastrite em algum momento da vida, com as chances aumentando à medida que os anos se acumulam. Proponho, portanto, aos sofredores gástricos que nos unamos! Somos a maioria ácida e dolorida! Que encontremos algum prazer na dor!

Agora, o relato:

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Só não seremos fofas

161117-laerte-e1479412079614

By Laerte

Aprendi um termo novo esses dias: conformidade de gênero. Não tinha o vocabulário correto, mas a sensação, sim, claro. Há mulheres mais ou menos de acordo com o que se espera delas, assim como há homens considerados masculinos o bastante – ou não. Se sua intuição está agora te dizendo que quem tem maior conformidade de gênero só pode ser a mulher cis heterossexual, por exemplo, volte duas casas. Não necessariamente. A mulher trans pode ser muito mais lady. Conformidade de gênero, segundo aprendi, não tem a ver com orientação sexual nem com identidade de gênero, mas sim com o que se espera do comportamento social do seu gênero. Ou seja, quão feminina ou masculino é você?

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Congada São Benedito de Gonçalves

scan30

scan29

scan32

scan33

scan35

scan36

scan34

scan38

scan31   scan37

Congada São Benedito de Gonçalves.
Gonçalves, Minas Gerais, Brasil – julho 2016.
Photos by Maria Bitarello.
Canon AE-1 / Kodak 400 TX

Classe média: o fetiche do igual

flock-of-sheep
Há uns anos ouvi um
podcast de rádio americana, não me lembro mais qual, em que o entrevistado daquele dia dizia que o fator determinante da pobreza – econômica, não de espírito – é a possibilidade de escolha. O pobre, dizia o entrevistado que também o era, muito mais do que carecer de coisas, pertences, bens, é privado de escolhas, de alternativas. E, salvo as exceções que sempre existem, a vida lhe impõe um caminho, muitas vezes sem bifurcações no percurso. O que o dinheiro compra, portanto, segundo o tal entrevistado, são escolhas. Fiquei pensando sobre isso muito tempo. Claro que se trata de uma dentre tantas formas possíveis de interpretação e que, de certo, é limitada. Mas vamos seguir nessa via, limitada que seja. Porque acho que ela traz insights.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.