Relatos de uma endoscopia bem-sucedida

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Inspirada em minhas recentes aventuras numa clínica no Alto da Lapa, em São Paulo, misturada a outras vividas em outras clínicas, em Minas Gerais – aliadas a um desejo agora declarado de que as “viagens” com supervisão médica fossem uma prática de lazer e entretenimento –, apresento aqui os relatos de uma paciente de um dos grandes males do século: a gastrite (e suas derivações gástricas, como refluxo, esofagite, úlcera e afins). Segundo informações de internet nada precisas, o Omeprazol – remédio usado em tratamentos gástricos – é um dos medicamentos mais consumidos no mundo e mais da metade da população mundial será afetada pela gastrite em algum momento da vida, com as chances aumentando à medida que os anos se acumulam. Proponho, portanto, aos sofredores gástricos que nos unamos! Somos a maioria ácida e dolorida! Que encontremos algum prazer na dor!

Agora, o relato:

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Só não seremos fofas

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By Laerte

Aprendi um termo novo esses dias: conformidade de gênero. Não tinha o vocabulário correto, mas a sensação, sim, claro. Há mulheres mais ou menos de acordo com o que se espera delas, assim como há homens considerados masculinos o bastante – ou não. Se sua intuição está agora te dizendo que quem tem maior conformidade de gênero só pode ser a mulher cis heterossexual, por exemplo, volte duas casas. Não necessariamente. A mulher trans pode ser muito mais lady. Conformidade de gênero, segundo aprendi, não tem a ver com orientação sexual nem com identidade de gênero, mas sim com o que se espera do comportamento social do seu gênero. Ou seja, quão feminina ou masculino é você?

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Congada São Benedito de Gonçalves

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Congada São Benedito de Gonçalves.
Gonçalves, Minas Gerais, Brasil – julho 2016.
Photos by Maria Bitarello.
Canon AE-1 / Kodak 400 TX

Classe média: o fetiche do igual

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Há uns anos ouvi um
podcast de rádio americana, não me lembro mais qual, em que o entrevistado daquele dia dizia que o fator determinante da pobreza – econômica, não de espírito – é a possibilidade de escolha. O pobre, dizia o entrevistado que também o era, muito mais do que carecer de coisas, pertences, bens, é privado de escolhas, de alternativas. E, salvo as exceções que sempre existem, a vida lhe impõe um caminho, muitas vezes sem bifurcações no percurso. O que o dinheiro compra, portanto, segundo o tal entrevistado, são escolhas. Fiquei pensando sobre isso muito tempo. Claro que se trata de uma dentre tantas formas possíveis de interpretação e que, de certo, é limitada. Mas vamos seguir nessa via, limitada que seja. Porque acho que ela traz insights.

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