O zen e o mindinho quebrado

Três semanas atrás quebrei o dedo do pé. Uma bobeira. Uma topada. E nada grave. Uma fratura e pronto. E essa pequena pedra no caminho – quebrar o dedo mindinho, menor impossível – se mostrou um inconveniente surpreendente. O desequilíbrio provocado pela impossibilidade de usar uma parte do pé pra se apoiar é real, concreto, e também mental. Subitamente, é preciso rearranjar pequenas e grandes ações cotidianas, aquelas sobre as quais nem se reflete – como mudar de posição na cama ou calçar os chinelos. Agora, todas as ações motoras levam em conta esse toquinho no canto do pé. É preciso que outros façam por mim coisas até então dadas como banais, como apertar o pedal da embreagem do carro. De maneira compulsória, o cotidiano ficou mais zen e mindful, com as atenções plenamente voltadas pra cada ação. É bom e ruim. Nem bom nem ruim.

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Devaneios sobre a cultura do olhar

Semana passada meu padrasto americano estava em São Paulo e fomos tomar uma cerveja no bar da esquina aqui de casa. Ele comentou que gosta da maneira como as pessoas se olham em São Paulo. Que é muito diferente da forma como as pessoas se olham no interior de Minas, onde ele mora com minha mãe. Achei que faz total sentido. Sou uma entusiasta da prática de people watching, gosto de observar essas sutilezas, mas até então sempre as definia em termos culturais bem amplos. Brasileiros olham de um jeito, franceses de outro, americanos de outro, por aí vai. A observação dele me levou a ponderar também sobre as diferenças regionais. E no ato, no meio daquele copo de cerveja, soube que seria esse o mote pra minha crônica dessa semana.

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