A cura peripatética

Desde que me mudei pra São Paulo, há mais de cinco anos, a maior dificuldade de adaptação à cidade que encontrei é a insuficiência de lugares verdes, abertos, de natureza. Mesmo sendo eu uma apreciadora cotidiana das frondosas árvores que, por razões inexplicáveis pra mim, continuam sobrevivendo com exuberância até nas partes mais concretadas da cidade. Mesmo assim. Faltam respiros em meio aos edifícios, locais não especulados imobiliariamente. Falta horizonte. Céu. Silêncio. E faço aqui de São Paulo uma metonímia, uma parte pelo todo, uma cidade representando as grandes metrópoles onde, cada uma a sua maneira regional/cultural, os desafios da vida urbana se apresentam de forma parecida.

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Roda de samba

Revista do Samba, no Biergarten do Garimpo, no Embu das Artes, SP.
Vítor da Trindade, Letícia Coura, Beto Bianchi – 20 / 05 / 2017

Conto e ouço histórias; logo, existo

No mês passado ouvi um podcast novo chamado “S-Town” (em inglês). Foram sete episódios de 1 hora de duração cada, todos lançados de uma só vez, como uma série da Netflix. Dá pra ouvir tudo numa sentada só ou ir degustando aos poucos. Só que é um programa de não-ficção pra rádio. De altíssimo nível, a propósito, tanto editorial quanto de produção e narração. Entrevistas são entrecortadas por músicas, com uma harmônica edição de som e, sobretudo, há ritmo. A história guarda um mistério e, portanto, a ordem em que as informações são apresentadas e por quanto tempo sustenta-se o suspense são elementos fundamentais. Caso contrário, o ouvinte perderia o interesse, faria outra coisa, não ouviria o resto. Como um leitor que se entendia com um thriller mal-escrito.

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Pé surrealista na kitinete

Forçada ao repouso por um mísero mindinho do pé esquerdo quebrado e recém-instalada em um novo apartamento, desenhei (mal) o surrealismo do pé flutuante com kitinete ao fundo…
* Caneta em gel sobre caderninho amarelado.

A introversão e a solidão alegre

Dizem que as pessoas podem ser divididas em dois grupos primários de personalidade: gatos e cachorros. As pessoas felinas seriam as mais introvertidas; e as caninas, as extrovertidas. Umas gostam de ficar sozinhas, preferem o silêncio, precisam de sossego. Outras buscam mais estímulos, querem gente por perto, se alimentam do coletivo. Tal como as pessoas sociáveis, os cães são considerados animais mais amáveis, companheiros, brincalhões e também atrapalhados e carentes. Os gatos, por sua vez e seguindo o mesmo raciocínio pros reclusos, são vistos como elegantes, autossuficientes, ágeis, esnobes, desconfiados e até ardilosos. Pensar as pessoas como felinas ou caninas pode trazer insights interessantes, mas, mais que isso, revela nossa preferência – enquanto cultura – pelos extrovertidos. E, de tabela, nosso juízo sobre os introvertidos.

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