Tony Soprano e a tradição crioula dos expatriados

O comediante Hasan Minhaj, correspondente do The Daily Show, é filho de imigrantes indianos muçulmanos. Ele é a primeira geração americana do seu clã. E numa entrevista referiu-se a si próprio como “terceiro culturista”. Sua mãe e seu pai são a primeira cultura, a matriz – a Índia. A cultura americana é a segunda, a que recebe. E ele é a terceira cultura, a crioula. A soma de uma e outra, ou a mistura delas. Sua multiplicação, talvez. Enfim, gostei desse termo, “terceiro culturista”. Faz tempo que pensava sobre isso. Como brasileira e, portanto, mestiça. Como descendente de terceira geração de italianos. Como integrante, em primeira geração, de uma família brasileiro-americana. Como expatriada por um tempo na Europa. Como fã de quatro da série “Os Sopranos”.

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A Paris de Santos Dumont

Em 2006, fiz uma reportagem em Paris para a extinta revista mineira Mundo Pangea, na época editada pela Isabel Pequeno. A pauta era motivada pelo centenário do voo do 14-bis, em 1906. E a oportunidade preciosa: passear pela cidade tendo como meta refazer alguns dos passos do aviador mineiro – aqueles ainda disponíveis. Foi minha primeira reportagem longa. E também minha primeira vez em Paris.

Hoje, arrumando caixotes pós-mudança, encontrei a revista… taí.

O tempo das coisas

Nosso século, que tanto fala de economia,
é um esbanjador:
esbanja o mais precioso, o espírito.
Friedrich Nietzsche

Quando você vai preparar um chá, tem o tempo de fervura da água, o momento da infusão, a espera pelo resfriamento e só então a ingestão da bebida. Não dá pra mudar a ordem dos fatores nem o tempo que cada um deles demanda. A água só vai ferver a 100oC, a erva precisa de alguns minutinhos na água quente pra ser infundida e se você não esperar esfriar vai queimar a língua. As coisas têm seu tempo. E embora os tempos hoje sejam de afobação, o chá ainda toma o tempo que toma pra ficar pronto. E tudo indica que vai continuar sendo assim. Saber disso, no corpo e na alma, é o que eu chamo de sabedoria.

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A cura peripatética

Desde que me mudei pra São Paulo, há mais de cinco anos, a maior dificuldade de adaptação à cidade que encontrei é a insuficiência de lugares verdes, abertos, de natureza. Mesmo sendo eu uma apreciadora cotidiana das frondosas árvores que, por razões inexplicáveis pra mim, continuam sobrevivendo com exuberância até nas partes mais concretadas da cidade. Mesmo assim. Faltam respiros em meio aos edifícios, locais não especulados imobiliariamente. Falta horizonte. Céu. Silêncio. E faço aqui de São Paulo uma metonímia, uma parte pelo todo, uma cidade representando as grandes metrópoles onde, cada uma a sua maneira regional/cultural, os desafios da vida urbana se apresentam de forma parecida.

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Roda de samba

Revista do Samba, no Biergarten do Garimpo, no Embu das Artes, SP.
Vítor da Trindade, Letícia Coura, Beto Bianchi – 20 / 05 / 2017