Rabiscos rupestres

Matutu, Minas Gerais – Janeiro 2018

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Tecnologia e tecnofobia

No mundo do consumo de tecnologia, existe a expressão early adopters. Ela se refere àqueles pioneiros no consumo, os que aderem cedo às novidades. Os que querem ser os primeiros a ter o novo modelo de smartphone ou videogame, os que encomendaram os óculos da Google, os que sempre conhecem os novos aplicativos e softwares que surgiram pra solucionar problemas que você não tinha. Os early adopters muitas vezes antecipam o hype e contribuem pra que ele exista, mas também cometem seus erros e aderem a modinhas que não pegam. Eles sofrem com tecnologias ultrapassadas e são nostálgicos do futuro tecnológico que não chegarão a viver, só de imaginar a quantidade de brinquedinhos eletrônicos que não chegarão a conhecer, pois serão inventados depois de seu tempo de vida terrena. Pois é, eu não sou uma dessas pessoas. Sou uma late adopter, uma aderente tardia, desconfiada; e, em alguns casos até, uma no adopter.

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Banhista na Paulista

porque uma mulher boa
é uma mulher limpa
e se ela é uma mulher limpa
ela é uma mulher boa
(Angélica Freitas)

Numa tarde especialmente chuvosa de novembro, parei o carro num sinal da Av. Paulista com a Alameda Min. Rocha Azevedo. Ali, naquela esquina, uma mulher se banhava na enxurrada. Pelada, com cabelos em dreadlocks coloridos, idade indefinida (nem jovem nem velha), estava sentada num ponto em que a água empoçou bem no encontro do asfalto com a subida do meio-fio e formou uma piscininha rasa. A chuva torrencial despencava e a mulher se lavava embaixo dos braços, fazia concha com as mãos pra lavar os cabelos, levando também água à boca pra beber. Não havia pedestres e os motoristas nos carros desaceleravam pra observá-la. Era uma cena impressionante. Seus gestos não carregavam nem um tom exibicionista nem maluco. Não se tratava de uma performance, creio eu, nem de uma doida. Havia uma naturalidade que conferia a seu banho um ar corriqueiro. “Hora da chuva, hora do banho”. E só.

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Antonio Candido

No fim de outubro, fui à Pinacoteca, no centro de São Paulo, visitar a exposição “No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos”, em comemoração ao aniversário de nascimento do pintor e fiquei inspiradíssima. Recomendo desde já uma visita e um mergulho na obra do carioca que foi uma espécie de cronista de seu tempo. Suas charges e ilustrações pra revistas foram, para mim, a maior e mais deliciosa surpresa, pois, sem se dar conta (ou se dando conta), Di foi registrando a passagem do século 20, seus tipos e suas modas, seus políticos e suas vedetes, suas fofocas e tabus. Um deleite. Saí de lá animada e pensando no Antonio Candido.

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