O zen e o mindinho quebrado

Três semanas atrás quebrei o dedo do pé. Uma bobeira. Uma topada. E nada grave. Uma fratura e pronto. E essa pequena pedra no caminho – quebrar o dedo mindinho, menor impossível – se mostrou um inconveniente surpreendente. O desequilíbrio provocado pela impossibilidade de usar uma parte do pé pra se apoiar é real, concreto, e também mental. Subitamente, é preciso rearranjar pequenas e grandes ações cotidianas, aquelas sobre as quais nem se reflete – como mudar de posição na cama ou calçar os chinelos. Agora, todas as ações motoras levam em conta esse toquinho no canto do pé. É preciso que outros façam por mim coisas até então dadas como banais, como apertar o pedal da embreagem do carro. De maneira compulsória, o cotidiano ficou mais zen e mindful, com as atenções plenamente voltadas pra cada ação. É bom e ruim. Nem bom nem ruim.

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Karma-Cola

holiEntregar-se para vencer” é o título de uma crônica que escrevi há quase 5 anos. A frase não é minha. Tirei-a do livro Shantaram, de Gregory David Roberts, que lia na época. Foi pouco antes de ir à Índia pela primeira vez. Três viagens depois, lembrei-me dessa crônica. Porque a resistência vem me parecendo uma força inútil e, lá, entregar-se é um ato de sobrevivência. A cada vez que volto ao país, essa frase ganha mais corpo e se transforma numa espécie de fé.

Não vou aqui ficar fazendo pregações sobre a cultura espiritual indiana. Sim, a espiritualidade está por toda parte, sagrado e profano tudo junto e misturado, e isso é maravilhoso em muitos momentos, mas o karma-cola não é meu forte.

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