A cura peripatética

Desde que me mudei pra São Paulo, há mais de cinco anos, a maior dificuldade de adaptação à cidade que encontrei é a insuficiência de lugares verdes, abertos, de natureza. Mesmo sendo eu uma apreciadora cotidiana das frondosas árvores que, por razões inexplicáveis pra mim, continuam sobrevivendo com exuberância até nas partes mais concretadas da cidade. Mesmo assim. Faltam respiros em meio aos edifícios, locais não especulados imobiliariamente. Falta horizonte. Céu. Silêncio. E faço aqui de São Paulo uma metonímia, uma parte pelo todo, uma cidade representando as grandes metrópoles onde, cada uma a sua maneira regional/cultural, os desafios da vida urbana se apresentam de forma parecida.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Pé surrealista na kitinete

Forçada ao repouso por um mísero mindinho do pé esquerdo quebrado e recém-instalada em um novo apartamento, desenhei (mal) o surrealismo do pé flutuante com kitinete ao fundo…
* Caneta em gel sobre caderninho amarelado.

Bicicleta lifestyle

Esses dias fiquei pensando que o tuk-tuk é, pra uma cidade indiana, o que a carroça é (ou foi) no ambiente rural. O que a charrete foi no século 19. O que talvez as bigas tenham sido na Roma antiga. Um meio de transporte que te permite deslocar-se enquanto interage e observa o entorno de outro ângulo, em outra velocidade, mas ainda assim, em proximidade dos demais. O tuk-tuk, mesmo motorizado como é hoje, me parece ser um sobrevivente desse contato no trânsito que ainda era pessoal. E o que me veio à cabeça e ao coração todas as vezes que entrei num tuk-tuk na minha última viagem à Índia, há poucos meses, foi a bicicleta. Eles têm uma vibe parecida. Você tá ali, no corpo-a-corpo. Sobre rodas, mas ao ar livre. O trânsito apertado. O calor do escapamento dos carros. As pessoas a pé. Tudo muito perto. Olho no olho.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

A arte de morrer

170110-varanasib

Manikarnika Ghat, Varanasi, Índia

Um dos momentos mais importantes em “Bacantes”, na montagem do Teatro Oficina a partir do texto de Eurípedes, é o estraçalhamento do corpo de Penteu. Um ato indissociável da entrega de Penteu a seu fim. De certa forma, é a consumação da tragédia, o ato em que o antagonista compreende e aceita seu papel. A cena é violenta e bela. Desse ritual de morte, todos são convidados a participar. Primeiro, do estraçalhamento, depois, do banquete onde Penteu será comido pelas bacantes, pelos tebanos, por todos nós; o momento da festa. Assim como todos ali presentes, Penteu percebe a situação em que se encontra, reconhece o inescapável – a morte, ali, pelas mãos delas – e abre os braços. Não resiste. Recebe. E morre.

Em dezembro, antes do fim da temporada de “Bacantes”, voltei a Varanasi, na Índia – a mais importante das cidades sagradas hindus e uma das mais antigas do mundo – e me lembrei o quão insípidos são os rituais de morte em muitas culturas.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.

Como prosperar pela transparência e diversidade

capa-blog-tim-jackson

Tim Jackson é um homem corajoso com uma ideia ousada: prosperidade não é sinônimo de crescimento.  Para fazer esse conceito valer e não pregar para os convertidos, os resultados da pesquisa conduzida por ele não foram apresentados na Universidade de Surrey, onde é professor de Desenvolvimento Sustentável e coordena o Grupo de Pesquisa em Estilos de Vida Sustentável. O trabalho virou o livro “Prosperidade Sem Crescimento – Vida Boa em um Planeta Finito” e foi encomendado pelo governo britânico ao economista ambiental na época em que era integrante da Comissão de Desenvolvimento Sustentável do Reino Unido. E os resultados foram:

1)   Crescimento econômico constante não garante felicidade;
2)   Os recursos do planeta são finitos;
3)   A ganância humana, aparentemente, não tem fim.

Da Inglaterra, onde vive, Tim Jackson conversou sobre diversidade no ambiente de trabalho, produtividade e felicidade, igualdade de direitos dos homens e das mulheres, violações éticas de multinacionais e motivos para se manter otimista. Mudar, segundo ele, não é só preciso; é possível.

Leia a entrevista completa com Tim Jackson que
foi publicada na Design de Causas em 2015.

 

What is Poetry?

FullSizeRender

Você curte fotografar ou ilustrar?
Quer participar de um projeto internacional?
Crie seu perfil no HitRecord e venha participar conosco do “What is poetry?”.
Os textos são em inglês, mas sua colaboração será compreendida por todos!

Entre aqui para conhecer o projeto!

***  ***  ***

Do you photograph, draw, paint?
Wanna join an international project?
Login to HitRecord e collaborate with “What is poetry?”.

Click here to get to know our project!