Você tem medo de quê?

Outro dia um amigo me disse o seguinte: “Meu instinto é classe média”. Ou seja, quando o bicho pega, os sistemas de defesa do seu corpo e mente o levam pro lugar que ele conhece como seguro – e ele não parecia satisfeito com essa constatação. Ele queria dizer que, por exemplo, tem medo das ruas da cidade à noite, que tem o instinto de atravessar pra calçada mais iluminada, que logo quer pegar um táxi e, também, outro exemplo, que quando a vida fica muito incerta suas defesas logo acionam o alerta que pisca em letreiros luminosos dizendo “arrume um emprego!”, tenha carteira de trabalho assinada, compre a casa própria, tenha 13o, declare o Imposto de Renda, garanta sua aposentadoria e plano de saúde privado. E, no entanto, ao mesmo tempo, ele sabe que nada disso importa tanto assim – e não digo isso por causa da reforma trabalhista do apocalipse. É porque o buraco é mais embaixo mesmo.

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Tony Soprano e a tradição crioula dos expatriados

O comediante Hasan Minhaj, correspondente do The Daily Show, é filho de imigrantes indianos muçulmanos. Ele é a primeira geração americana do seu clã. E numa entrevista referiu-se a si próprio como “terceiro culturista”. Sua mãe e seu pai são a primeira cultura, a matriz – a Índia. A cultura americana é a segunda, a que recebe. E ele é a terceira cultura, a crioula. A soma de uma e outra, ou a mistura delas. Sua multiplicação, talvez. Enfim, gostei desse termo, “terceiro culturista”. Faz tempo que pensava sobre isso. Como brasileira e, portanto, mestiça. Como descendente de terceira geração de italianos. Como integrante, em primeira geração, de uma família brasileiro-americana. Como expatriada por um tempo na Europa. Como fã de quatro da série “Os Sopranos”.

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