A cura peripatética

Desde que me mudei pra São Paulo, há mais de cinco anos, a maior dificuldade de adaptação à cidade que encontrei é a insuficiência de lugares verdes, abertos, de natureza. Mesmo sendo eu uma apreciadora cotidiana das frondosas árvores que, por razões inexplicáveis pra mim, continuam sobrevivendo com exuberância até nas partes mais concretadas da cidade. Mesmo assim. Faltam respiros em meio aos edifícios, locais não especulados imobiliariamente. Falta horizonte. Céu. Silêncio. E faço aqui de São Paulo uma metonímia, uma parte pelo todo, uma cidade representando as grandes metrópoles onde, cada uma a sua maneira regional/cultural, os desafios da vida urbana se apresentam de forma parecida.

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Bicicleta lifestyle

Esses dias fiquei pensando que o tuk-tuk é, pra uma cidade indiana, o que a carroça é (ou foi) no ambiente rural. O que a charrete foi no século 19. O que talvez as bigas tenham sido na Roma antiga. Um meio de transporte que te permite deslocar-se enquanto interage e observa o entorno de outro ângulo, em outra velocidade, mas ainda assim, em proximidade dos demais. O tuk-tuk, mesmo motorizado como é hoje, me parece ser um sobrevivente desse contato no trânsito que ainda era pessoal. E o que me veio à cabeça e ao coração todas as vezes que entrei num tuk-tuk na minha última viagem à Índia, há poucos meses, foi a bicicleta. Eles têm uma vibe parecida. Você tá ali, no corpo-a-corpo. Sobre rodas, mas ao ar livre. O trânsito apertado. O calor do escapamento dos carros. As pessoas a pé. Tudo muito perto. Olho no olho.

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