Surrealismo acidental

São Paulo, Novembro 2017.

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O piano do pai dela

Tão longe, tão perto
Tão dúbio, tão certo
Fechado e aberto
Vazio, (in)completo

Licor e piano
Mutantes e Caetano
Cigarro com café
E palavras e gestos e risos e fé

No tempo, no vento
No riso, no risco
No amor, na dor, na cor, no que for
Fé em Má e em Rô

Tão perto, tão certo
Tão perto, aperta
Tão longe é incerto
Tão súbito, desperta

É mesmo frágil, pois que livre e leve
Tão solto que afina como desafina
Algo que não se mede, não se pede ou que se negue
Sem você não encontro a rima
De duas – uma e mais uma menina

Por enquanto, é verdade
Já que sem pedras da cidade, da ansiedade, da vontade, da vaidade, da idade
Meninas que somos, meninas que fomos
Temos a amizade, a liberdade, a cumplicidade, a saudade