Café dos artistas

São Paulo, outubro 2018.
Café dos Artistas / Centro de Memória do Circo
Largo do Paissandu

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“O tempo das coisas”: lançamento em JF e SP

Quando você vai preparar um chá, tem o tempo de fervura da água, o momento da infusão, a espera pelo resfriamento e só então a ingestão da bebida. Não dá pra mudar a ordem dos fatores nem o tempo que cada um deles demanda. A água só vai ferver a 100 graus C, a erva precisa de alguns minutinhos na água quente pra ser infundida e se você não esperar esfriar vai queimar a língua. As coisas têm seu tempo. E embora os tempos hoje sejam de afobação, o chá ainda toma o tempo que toma pra ficar pronto. E tudo indica que vai continuar sendo assim. Saber disso, no corpo e na alma, é o que eu chamo de sabedoria.

 

Reflexões sobre o tempo são sempre bem-vindas. E também sobre a vida, cujas melhores coisas não são as coisas, propriamente ditas. A tecnologia, a correria, os olhos no relógio, os ouvidos tapados por fones nos isolam de um convívio mais próximo com o outro e de um olhar mais apurado. Não há tempo para parar, olhar e sentir.

Esse tempo que nos falta, no entanto, Maria Bitarello, felizmente o tem. Fabricou-o, optou por ele, priorizou-o e o fez virar livro, para o nosso deleite e transformação. Sim, porque será impossível não sair ao menos minimamente transformado da leitura de O tempo das coisas, sua segunda coletânea de crônicas e primeira a ser lançada pela In Media Res Editora.

São 28 textos que falam de situações banais, cotidianas e de como elas ganham importância quando recebem a devida atenção.

É impecável a reflexão da autora sobre a vida noturna, considerada por ela um ritual de iniciação à vida. E sua percepção sobre o quanto um dedo mindinho quebrado pode atrapalhar nossa rotina numa proporção inimaginável, ao mesmo tempo em que o desprender-se das coisas pode tornar nossos dias bem mais leves.

Numa parada para olhar o entorno, Maria vê que há tanta riqueza filosófica nos escritos de Nietzsche quanto na moradora de rua que se banha na Av. Paulista. E que fotografar, comer o que se quer e resistir ao uso desenfreado dos smartphones podem ser ações libertadoras. Há o envelhecimento, o aborto e a morte vistos e falados com seriedade e serenidade. E o tempo, o grande tesouro dos nossos dias. O tempo que não pode ser abreviado por ser necessário, por significar processo. O tempo da fervura da água e da infusão do chá. O tempo da parada, do olhar, da escrita e da leitura com que Maria generosamente nos brinda.

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Maria Bitarello é mineira. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e mestre em Literatura Luso-Brasileira pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), cresceu entre o Brasil e os Estados Unidos e viveu em Paris antes de se estabelecer em São Paulo, em 2012. É escritora, tradutora e jornalista e, desde 2015, trabalha no Teatro Oficina.

 

Ilustração da capa: Praça Roosevelt, by Letícia Coura

Os modernistas se divertem

Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Pagu (Nash Laila), Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Heloísa de Lesbos (Sylvia Prado), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Heloísa de Lesbos (Sylvia Prado), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) e Pagu (Nash Laila), Av. Paulista, 8 de março 2018

Renée Gumiel (Gabi Campos), Av. Paulista, 8 de março 2018

Tarsila do Amaral (Letícia Coura), Av. Paulista, 8 de março 2018

Vera Valdez como ela mesma, diva – Av. Paulista, 8 de março 2018

O homem amarelo (de Anita Malfatti) – Túlio Starling, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Dayse (Nash Laila), Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

O homem amarelo (de Anita Malfatti) – Túlio Starling, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Tarsila do Amaral (Letícia Coura) ao cavaquinho, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Yan de Almeida Prado (Isabela Mariotto), Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Pintura de Anitta Malfatti – Joana Medeiros, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Pintura de Anitta Malfatti e seu boy – Joana Medeiros e Gabi Campos, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Personagens de pinturas de Anitta Malfatti – Grande encontro – Túlio Starling e Joana Medeiros, Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

Modernistas Futebol Clube: boy Carina Iglecias (ao fundo), Homem amarelo (Túlio Starling), Glória, a professora de piano lésbica (Cynthia Monteiro), modernista não identificada (Clarisse Johansson), boy (Gabi Campos), modernista não identificada 2 (Sylvia Prado), pintura da Anita Malfatti (Joana Medeiros), Yan de Almeida Prado (Isabela Mariotto) e Tarsila do Amaral (Letícia Coura) – Largo do Paissandu (SP) – Dia do Circo

8 de março, na Av. Paulista e 27 de março,
no Largo do Paissandu – São Paulo – Brasil 2018
Canon AE-1 / Kodak Portra 400
by Maria Bitarello

Antonio Candido

No fim de outubro, fui à Pinacoteca, no centro de São Paulo, visitar a exposição “No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos”, em comemoração ao aniversário de nascimento do pintor e fiquei inspiradíssima. Recomendo desde já uma visita e um mergulho na obra do carioca que foi uma espécie de cronista de seu tempo. Suas charges e ilustrações pra revistas foram, para mim, a maior e mais deliciosa surpresa, pois, sem se dar conta (ou se dando conta), Di foi registrando a passagem do século 20, seus tipos e suas modas, seus políticos e suas vedetes, suas fofocas e tabus. Um deleite. Saí de lá animada e pensando no Antonio Candido.

Para continuar lendo, veja a coluna no site Outras Palavras.